“Procuro, entre vós, juízes e apenas vejo acusadores!”
Em uma volta que demos hoje, eu e alguns colegas padres, ouvi esta citação. Fui atrás da história. O contexto desta frase é complexo, refere-se a um julgamento da Revolução Francesa.
Repito: “Procuro, entre vós, juízes e apenas vejo acusadores!”
Embora já tenha seus mais de dois séculos acho tão pertinente para tantos tribunais “paralelos” de hoje. O tribunal virtual, o empresarial, o familiar, o de “amizades”, da comunidade eclesial, entre outros…
Nosso juízo rápido e o gesto de assumir posições fixas, não suscetíveis à revisão, objetiva e metodológica, leva-nos de um verdadeiro julgar e discernir, boa atitude e própria do crescimento humano, a um papel de parte decidida a acusar o outro.
Sem ver as variantes, sem oferecer legítima defesa, sem suspender o juízo para uma análise realmente crítica da pessoa em suas circunstâncias. Somos - não - juízes, pois estes podem (e devem) ser justos e decidir conforme a verdade, aliando o bem pessoal e o comum, fazendo a justiça acontecer. Mas somos acusadores, sempre a salientar o feito em sua pior face, pronto para embater (e debater) o defensor (que geralmente é também um agressor ao reverso).
Existe uma imagem contemporânea, presente no contexto religioso também, que não quer que sejamos juízes. E isto pode ser uma falha em nós. Estamos sempre ocupados em ser parte ou contraparte de toda história, de cada problema simples ou complexo da sociedade. E esquecemos de sermos juízes imparciais que buscam a verdade acima dos impulsos pessoais, tantas vezes a-orientados, des-orientados.
Orientemos nossa consciência ao juízo - justo. Fruto da busca sincera pela verdade acima das paixões capazes de cegar.
Que quando qualquer pessoa ou ato encontrar-se com o nosso juízo - verbal, escrito, mental - a esta tenha sido dada as circunstâncias não viciadas, mas a possibilidade da justiça real é verdadeira.
(Foto: 2021 - Vitral com imagem do resultado de um juízo onde só contavam acusadores)