A paciência da natureza: a obra da criação carrega os traços de seu autor. Um dos traços é que, se esta segue seu curso natural, não há pressa para fazer as coisas acontecer. Ou melhor, cada coisa tem seu tempo. Entre estalactites e estalagmites pode se perceber como eras geológicas, milhares ou centenas de anos são necessários para produzir uma coluna, que se compõe da união do que vem do alto com o que vem debaixo. Tantas vezes tive (e tenho) pressa das coisas; quero encaminhar, quero resolver, quero terminar… e Deus está a tecer sua beleza com gotículas d’água e minerais. A natureza tem uma palavra aos ansiosos… com o tempo, o que é necessário, vai se unir. Vale mais a constância da disciplina que os gestos fortes e esporádicos. Ah! Quanto a aprender neste caminho! Uma gota de cada vez, e se formarão maravilhas em seu interior, que qualquer um, que parar para contemplar, vai se maravilhar!
Enquanto trabalho no escritório, pensando e escrevendo, reflito sobre este poema: O Barco “Mas se já pagamos nossas passagens neste mundo por que, por que não nos deixam sentar e comer? Queremos olhar as nuvens, queremos tomar o Sol e cheirar o sal, francamente não se trata de incomodar ninguém, é tão simples: somos passageiros. Vamos todos passando e o tempo conosco: passa o mar, a rosa se despede, passa a terra pela sombra e pela luz, e vocês e nós passamos, passageiros. Então, o que se passa? Por que vocês andam tão furiosos? Procuram quem com o revólver? Nós não sabíamos que tinham ocupado tudo, os copos, os assentos, as camas, os espelhos, o mar, o vinho, o céu. Agora o que acontece é que não temos mesa. Não pode ser, pensamos. Não podem nos convencer. Estava escuro quando chegamos de barco. Estávamos nus. Todos nós chegávamos do mesmo lugar. Todos nós vínhamos de mulher e de homem. Todos nós tivemos fome e depois dentes. A todos cresceram as mãos e os olhos para trab...